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[Apenã #017] Máximas Roderiquianas – Roderic Szasz #LeiaNovosBR

Essa entrevista me foi bem especial, pois foi com alguém que admiro muitíssimo há bastante tempo. Roderic Szasz se destacou desde muito cedo por sua inteligência e tem uma relação intensa com a literatura, conversar com ele é aprender a cada instante. Professor desde os 18 anos, ele fala como se encontrou nessa profissão.

O escritor conta aqui sobre suas experiências desde infância, influências literárias, interessantíssima história familiar, movimentos que nasceram na Universidade Federal do Ceará, contato com outros idiomas, contato com a música, inclusive com a banda Biquini Cavadão e o cantor Bruno Gouvêia, o prefaciador do seu livro, Máximas Roderiquianas, sobre o qual, claro, também conversamos.

Eu prefiro deixar o Roderic falar, por meio da apresentação do seu livro Máximas Roderiquianas:

APRESENTAÇÃO

Por volta de 1983, aos 13 anos, tive em minhas mãos pela primeira de muitas vezes Memórias póstumas de Brás Cubas, de Machado de Assis. À época, claro, apesar de já ser um leitor ávido, eu não consegui alcançar, em sua totalidade, a genialidade do Bruxo do Cosme Velho no livro. O que mais havia chamado minha atenção era o título, que remetia à estranha possibilidade de um cadáver ou espírito escrever suas memórias.

Apesar de minha incompleta compreensão da obra, eu me recordo que as máximas, inseridas no capítulo CXIX (Parêntesis), despertaram meu interesse. Fiquei impressionado com o poder de síntese (ainda que não soubesse exatamente o que significasse isso, eu só o sentia) e com o poder de estabelecimento de uma “verdade definitiva”. Não eram uma simples ideia, mas uma afirmação categórica, ou como diria o próprio Brás: uma “epígrafe a discursos sem assunto”. Que fantástico tudo aquilo me pareceu!

Duas em especial me encantaram, talvez por serem aquelas que mais facilmente a idade me permitia assimilar por completo: “Matamos o tempo; o tempo nos enterra” e “Não te irrites se te pagarem mal um benefício: antes cair das nuvens que do terceiro andar”. Eu me deliciava com a ironia, com a fatalidade do fim das esperanças, com a crueza da realidade ali expostas.

Quando comecei a escrever meus primeiros poemas, em 1985, o espírito das frases machadianas em mim ficou: meus poemas, contos, até mesmo um romance (tudo inédito, ainda à espera do tempo certo para publicação) foram sempre marcados pela tentativa de ser conciso, muito mais do que quando falo sobre assuntos não-literários, onde sou reconhecida e propositalmente detalhista e extenso.

O passar dos anos não me ajudou a fazer publicações, a não ser uma artesanal: “O asco”, dos tempos da faculdade, título o qual nem eu possuo mais exemplares, e algumas participações em antologias (“Melancholia” e “Relicarius”) da Academia da Incerteza ou nos jornais culturais do “O Coiote”, grupos literários dos quais tive a honra de participar. E, depois disso, foram muitos anos escrevendo, sem ter como ou a quem mostrar meus textos.

Com o advento da tecnologia, as redes sociais se mostraram um bom local para mostrar meus pensamentos: afinal, eu possuía tantos alunos e amigos me seguindo… Mas eu sentia que mesmo poesias e contos sintéticos eram linguagens muito extensas para a dinamicidade da Internet. E vinha a angústia: como fazer alguém que escreve uma literatura tradicional ser lido pela modernidade?

Lembrei-me das máximas machadianas. E resolvi criar minhas frases. Algo que começou não tão sintético, às vezes. Lapidava o processo de síntese aos poucos. Ainda assim, em outubro de 2011 comecei a publicar as máximas em meu Facebook. Para meu espanto, muitas “curtições” de amigos, alunos e ex-alunos apareceram. Comentários. E com o passar dos anos, manifestações de apelo e incentivo à publicação.

E aqui estou. Começando pelo fim, como o fez antes Brás. Só que trazendo à luz primeiro o que vem sendo escrito por último. Sintomático? Talvez. E o que ficou para trás pode reaparecer, vai depender da resposta a estas “memórias”, digo, “máximas”.

Roderic Szasz


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