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[Apenã #036] Um Laboratório De Utopias — Miriam Kohn, Olivier Baumann e Christopher Kriese

Uma dose de Utopia, uma dose de Anarquismo, uma dose de Auto-Organização.
No meio da Alemanha, um grupo de jovens estudantes e trabalhadores se reuniram para debater questões importantes para nosso tempo. Para minha surpresa, uma boa quantidade deles falava ou pelo menos entendia português e três deles toparam conversar conosco em um episódio para pensarmos nas utopias necessárias para a construção do Amanhã que precisamos.

Republik

Republik, onde a Miriam é diretora, é uma revista digital sobre política, negócios, sociedade e cultura. Ela traz um modelo um pouco diferente, pois é financiada somente por seus leitores, ela evita cair nas mãos dos lobistas. Do site da revista Republik, em tradução livre:
“Um projeto contra o cinismo:
Nosso jornalismo defende as instituições da democracia contra o avanço dos autoritários. Nós não somos guiados pelo medo, mas pelos valores da transparência.
A Suíça é bem sucedida quando liberais e esquerdistas, progressistas e conservadores lutam por soluções juntos. É por isso que a Republik não é politicamente fixa, mas de modo algum neutra.
Defendemos a fidelidade aos fatos, a abertura à crítica, o desrespeito ao poder e o respeito ao povo.
Nossa revista é independente e livre de anúncios.
O único produto é o jornalismo sensato. E nosso único cliente é você. Nós oferecemos uma organização dos dados e um aprofundamento nas reportagens em vez de uma enxurrada de notícias. Queremos lhe inspirar, enriquecer e surpreender — com contribuições para as questões urgentes da atualidade.”

Tomorrow

Olivier é o co-fundador da Tomorrow, uma startup de tecnologia que desenvolve soluções digitais escaláveis sobre mudança climática.
A ideia da Tomorrow é abordar o impacto climático de todas as escolhas que você faz, calculando automaticamente o impacto climático de suas escolhas diárias, ao se conectar a aplicativos e serviços que você já usa, deixando acessível a todos o impacto climático de tudo.
Enfrentar as Mudanças Climáticas é o maior desafio da nossa geração e vai causar uma das mais profundas transformações sociais que o mundo já viu.
Tomorrow busca divulgar informações a respeito das Mudanças Climáticas para que possamos compreender o impacto climático das nossas ações. Dessa forma as pessoas teriam o poder do conhecimento para tomar decisões melhores e mais bem informadas.
Eles observam o que podemos fazer para reduzir a produção de CO2 por pessoa, apontando como principais das formas de reduzir nossos impactos: reduzir viagens de longa distância; parar a produção de energia em usinas de carvão, gás e petróleo; e evitar o consumo de carne vermelha.
A maior parte do trabalho deles é em código aberto, permitindo que qualquer pessoa contribua com os projetos e verifique os modelos desenvolvidos.

Teatro do Oprimido

Teatro do Oprimido é uma metodologia teatral elaborada pelo teatrólogo brasileiro Augusto Boal que pretende usar o teatro como ferramenta de trabalho político, social, ético e estético. Tem em vista a democratização dos meios de produção teatral, o acesso das camadas sociais menos favorecidas e a transformação da realidade através do diálogo, tal como Paulo Freire pensou a educação, mas agora no teatro. Ao mesmo tempo, traz toda uma nova técnica para a preparação do ator que tem grande repercussão mundial.
Além da arte cênica propriamente, também existe a finalidade política da conscientização, onde o teatro torna-se o veículo para a organização, debate dos problemas, além de possibilitar, com suas técnicas, a formação de sujeitos sociais que possam fazer-se veículo multiplicador da defesa por direitos e cidadania para a comunidade onde o Teatro do Oprimido está a ser aplicado.
Aplicado no Brasil pelas ruas, escolas, igrejas, sindicatos, teatros regulares, prisões, etc. em parceria com diversas ONGs, como as católicas Pastoral Carcerária e CEBs (Comunidades Eclesiais de Base), ou movimentos sociais, como o MST, as técnicas de Boal ganharam mundo, sendo suas obras traduzidas em mais de 20 idiomas.
O Teatro do Oprimido sistematiza Exercícios, Jogos e Técnicas Teatrais que objetivam a ativação sensorial e desmecanização física e intelectual de seus praticantes, e a democratização do teatro.
Fazem parte da “Árvore do Teatro do Oprimido” técnicas como: o teatro-imagem, o teatro-jornal, o teatro invisível, o arco-íris do desejo, o teatro-fórum e o teatro legislativo.
O Teatro do Oprimido assenta em três grandes princípios, que são as suas propostas mais fortes: a reapropriação dos meios de produção teatral pelos oprimidos, a quebra da quarta parede que separa o público dos atores e a insuficiência do teatro para a transformação social, isto é, a necessidade de ele se integrar num trabalho social e político mais amplo.
O TO parte do princípio de que a linguagem teatral é a linguagem humana que é usada por todas as pessoas no cotidiano. Sendo assim, todos podem desenvolvê-la e fazer teatro. Desta forma, o TO cria condições práticas para que o oprimido se aproprie dos meios de produzir teatro e assim amplie suas possibilidades de expressão. Além de estabelecer uma comunicação direta, ativa e propositiva entre espectadores e atores.
Dentro do sistema proposto por Boal, o treinamento do ator segue uma série de proposições que podem ser aplicadas em conjunto ou mesmo separadamente.
Cumpre ressaltar que todas as técnicas pressupõem a criação de grupos, onde o Teatro do Oprimido terá sua aplicação.

Heróis da Negatividade

O cientista da informação Bernhard Pörksen desenvolveu a ideia de “heroes da negatividade” em seu livro “Die grosse Gereiztheit” (que pode ser traduzido como “A grande irritação”). Há alguns anos, os políticos tinham um certo controle como eles eram percebidos publicamente. Eles podiam controlar uma certa imagem que o povo tinha deles. Agora com mídias sociais, com uma grande aceleração do circuito de notícias e com câmeras de celular em todos os lugares, todos podem fazer registros, não sendo mais possível “proteger” uma certa imagem. Isso fez possível o surgimento de uma nova forma de políticos: Invés de projetar uma imagem profissional, calma e digna, esses “heroes da negatividade” abertamente aparecem de uma forma banal, bruta e indecente. Eles não precisam “proteger” a sua imagem pública contra escândalos, porque todo mundo já sabe, que eles são vilões. Mesmo assim muitas pessoas apreciam a nova autenticidade que esse estilo de comunicação traz. Não é mais possível ferir a reputação deles com “revelações” sobre algo que eles fizeram ou disseram, porque não tem uma imagem a agredir. Eles mesmos já revelam abertamente seus defeitos a todos. Por isso a sátira, o jornalismo investigativo e protestos não têm o mesmo efeito contra eles. Novas estratégias são necessárias contra Donald Trump, Boris Johnson e Jair Bolsonaro.

Janela de Overton

A janela de Overton, também conhecida como janela do discurso, descreve a gama de ideias toleradas no discurso público.
A janela inclui uma gama de políticas consideradas politicamente aceitáveis no clima atual da opinião pública, que um político pode recomendar sem ser considerado excessivamente extremo para obter ou manter cargos públicos.
Essa janela pode ser deslocada ao se valer de um discurso de centro-esquerda como se fosse um discurso de extrema esquerda, por exemplo. Assim, um discurso de extrema direita passa a estar dentro dessa janela e se tornar aceitável.
Exemplos desse método pôde ser observado no desenvolvimento da extrema direita no cenário mundial, inclusive brasileiro, nos últimos anos.

Movimento Occupy

O movimento Occupy foi um movimento internacional que expressou oposição à desigualdade social e econômica e à falta de “democracia real” em todo o mundo. Seu objetivo principal era promover a justiça social e econômica e novas formas de democracia. O movimento tinha muitos escopos diferentes, já que grupos locais frequentemente tinham focos diferentes, mas suas principais preocupações incluíam como as grandes corporações (e o sistema financeiro global) controlam o mundo de uma forma que beneficiam desproporcionalmente uma minoria, minam a democracia e causam instabilidade. Ele fez parte do que foi chamou de “movimento pela justiça global”.
O primeiro protesto Occupy a receber atenção generalizada, Occupy Wall Street no Zuccotti Park de Nova York, começou em 17 de setembro de 2011. Até 9 de outubro, protestos do Occupy ocorreram em mais de 951 cidades em 82 países e em mais de 600 comunidades nos Estados Unidos.
Pode-se relacionar o movimento Occupy com a Primavera Árabe, o Movimento Verde Iraniano de 2009 e Movimento Indignados Espanhol, bem como da onda global global de protestos anti-austeridade de 2010 e seguintes. O movimento comumente usa o slogan “Nós somos os 99%” e o formato de hashtag #Occupy; organiza-se através de sites como o Occupy Together.
O movimento foi descrito como tendo um “compromisso primordial” para a democracia participativa. Grande parte do processo democrático do movimento ocorre em “grupos de trabalho”, onde qualquer manifestante é capaz de ter sua opinião. Decisões importantes são frequentemente tomadas nas Assembléias Gerais, as quais podem ser informadas pelos resultados de múltiplos grupos de trabalho. As decisões são tomadas usando o modelo consensual de democracia participativa. Isso muitas vezes caracteriza o uso de sinais manuais para aumentar a participação e operar com facilitadores de discussão em vez de líderes — um sistema que pode ser rastreado em parte pelo movimento Quaker há vários séculos, à democracia participativa na antiga Atenas e aos conselhos espaciais de 1999. movimento antiglobalização.
Nas assembléias, as propostas dos grupos de trabalho são feitas aos participantes da reunião, que comentam sobre eles usando um processo chamado pilha; uma fila de alto-falantes que qualquer um pode participar. Na Cidade de Nova York, o Occupy Wall Street usa o que é chamado de pilha progressiva, na qual pessoas de grupos marginalizados às vezes podem falar diante de pessoas de grupos dominantes, com facilitadores ou encarregados da pilha, encorajando os palestrantes a “dar um passo adiante”. de volta “com base em qual grupo eles pertencem, o que significa que as mulheres e as minorias podem ir para a frente da linha, enquanto os homens brancos devem freqüentemente esperar por uma vez para falar. O conceito de pilha progressiva foi criticado por alguns fora do movimento como “igualdade forçada” e “injusta”.

Escola autônoma de Zurique (Autonome Schule Zürich, ASZ)

A escola é um projeto contra racismo e injusticia. Ela é um ponto de encontro, aonde se pode conhecer outras pessoas.
A ASZ funciona «autônoma». Autônomo quer dizer independente e auto-governado. A escola não pertence ao governo e não recebe ajuda ou dinheiro do governo. A escola de vez em quando recebe material escolar e dinheiro de entidades particulares.
Estudantes e professores trabalham juntos. Os professores e as professoras também são estudantes. Os estudantes também são professores e professoras. Todo mundo é uma parte importante da ASZ. Não tem chefe.
A organização da ASZ e feita pelo escritório da escola e todo mundo trabalha voluntariamente.
Uma reunião plenária é realizada mensalmente para discutir sobre assuntos importantes. Vários grupos de trabalho fazem várias tarefas. Todos participantes da ASZ são responsáveis de criar um lugar de conjunto.
Na ASZ também podem ser realizado próprias idéias. Nos ficamos contente, se você participa de reuniões, trabalha em grupos de trabalho, realiza projetos ou próprias ideias na ASZ.

Links:
Fala da Judith Butler na Occupy WSP: www.youtube.com/watch?v=rYfLZsb9by4
Escola Autônoma de Zurique: www.bildung-fuer-alle.ch/eintrag/portugisiesch
Livro Die Größe Gereiztheit: www.amazon.de/Die-gro%C3%9Fe-Ger…58442?tag=duc03-21
Tomorrow: tmrow.com
Republik: www.republik.ch/


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[Papo Apenã #010] Jornalismo Investigativo — Barbara Viana

Boas vindas pra Bárbara Viana!

A nova membro do Apenã veio participar de uma conversa sobre Jornalismo Investigativo!

A conversa ocorreu logo após o curso sobre Jornalismo Investigativo que aconteceu em Fortaleza com a Nayara Felizardo, correspondente do Intercept no Norte e Nordeste.

Nao podíamos deixar de falar sobre as especificidades do jornalismo independente no Ceará, como a forte presença de radialistas, que vem sofrido perseguição e até mesmo mortos devido ao seu trabalho de denuncia no interior do estado.
Vários outros temas foram abordados, como perseguição a jornalistas e à professora Lola, “uberização” do trabalho, etc.
Algumas das matérias mencionadas:
– Sobre reconhecimento facial aqui e aqui
– Sobre a perseguição da professora Lola
– Sobre perseguição de jornalistas
– Assassinato de radialistas aquiaqui e aqui
– Sobre a engenharia genética
– Sobre a dispensa da ala cardiológica do Monte Klinikum
– Sobre cobradores de ônibus
– Sobre Carmen Lúcia e grandes laboratórios


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[Apenã #035] I Kaben Ma (Escuta Minha Fala) — Coletivo Beture: Simone e Bepunu

Beture, um coletivo de cineastas indígenas que fazem um trabalho audiovisual tanto dentro da aldeia e quanto acompanhando o movimento político indígena pelo Brasil.

Para participarem de evento no Reino Unido, o coletivo Beture recebeu as passagens da empresa Lush para o velho continente, que tentaram conciliar com o máximo de outras atividades no período. Foi um grande prazer os receber na Alemanha, conhecer o Bepunu pessoalmente, estreitar meus laços com a Associação Floresta Protegida e conhecer melhor o trabalho do coletivo Beture.

Links relacionados:
Facebook Coletivo Beture: www.facebook.com/coletivobetureci…astasmebengokre/
Site Associação Floresta Protegida: florestaprotegida.org.br/
Youtube Associação Floresta Protegida: www.youtube.com/channel/UCp4gEMkupeO0M-jsw1Vkykw
Instituto Socioambiental: www.socioambiental.org/pt-br

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