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[Papo Apenã #13] Meio Ambiente e Comunicação – Beatriz Diniz

Conversa com Beatriz Diniz (ou Ambientalista Pervertida, @BeatrizDiniz, no Twitter), jornalista com especialização em gestão ambiental. Marketêra de conteúdo relevante e atuo com social media marketing pra meio ambiente e sustentabilidade desde 2009. Empreendendo a eiiamoreco, uma fomentoria de comunicação de propósito.

  • O que te inspirou a se aproximar com o meio ambiente?

Eu morei em Mato Grosso do Sul 14 anos, foi onde tive a oportunidade de construir minha carreira atendendo a políticas públicas socioambientais com assessoria de imprensa e publicidade. Minha inspiração na área ambiental é o Eduardo Romero, na época um jovem ambientalista que mobilizou a vizinhança pra cuidar e defender o córrego bálsamo, em Campo Grande, com quem comecei a produzir comunicação pra meio ambiente. Voltei pro Rio em 2006, 3 anos depois senti que precisava de uma chacoalhada em função da idade e do mercado, e escolhi a área de sustentabilidade pela expertise em políticas públicas socioambientais. Fiz uma extensão na FGV On line, em Desenvolvimento Sustentável e Responsabilidade Social Corporativa, e como meus comentários faziam sucesso na turma, comecei a produzir conteúdo e distribuir por e-mail e nos meus perfis no facebook e no twitter. São 11 anos produzindo conteúdo sobre meio ambiente e sustentabilidade.

  • Algumas experiências de destaque

Um trampo que amo muito ter feito foi de Consultora de Sustentabilidade pro conteúdo do canal de comunicação digital da iniciativa Agenda 21 Comperj, de 2012 a 2013, na Avantare, agência de inteligência e marketing digital. Foi a época em que o marketing de conteúdo chegou no Brasil ainda como tendência. E eu, sortuda, tava lá pra aprender e maquinar como aplicar o marketing de redes sociais à produção de conteúdos relevantes, não comerciais.

Produzindo conteúdo sobre meio ambiente e sustentabilidade, fui praticando técnicas de marketing de redes sociais e de conteúdo. E fui, claro, estudar mais, fiz um curso da Agência Tudo Nosso, referência de marketing digital pra pequenos empreendedores, parceiraça do facebook, fiz oficina de marketing digital com a Liliana Ferrari, especialista em Pinterest, treinamento do Google.

Publiquei artigos na Revista EcoLÓGICA, no Portal EcoDebate, no IHU, na Envolverde, no Global Garbage. Escrevo pro Ecodebate até hoje, um parceirão que sempre publica meus artigos, aliás, respeito muito o trabalho do henrique cortez e da regina lima.

Em março de 2019, eu fiz a cobertura pra O Eco da primeira greve global de crianças e jovens pelo clima no Rio. Foi uma experiência sensacional, eu passei a grevar toda sexta, virei a adulta de estimação desse grupo inicial, com a Nayara Almeida, a Milena Batista. A Nayara, do Engajamundo, hoje taí firme, forte e plena atuando nesse movimento lindo que revigora as forças de adultos mundo afora, inclusive eu. 

E eu atendo solidariamente quem precisa de uma força em Comunicação e Sustentabilidade.

  • Qual a importância de uma consciência ambiental?

No país mega biodiverso acho que devia ser quase que natural ter consciência ambiental, seria o lógico, né? 

  • Como nos aproximar do “meio ambiente” e construir uma consciência ambiental?

Educação ambiental. Mas, eu moro numa cidade, por exemplo, em que crianças são mortas indo pra escola, na escola, voltando da escola. No Brasil ainda tem político eleito roubando merenda escolar. Então, esperar que a escola pública ofereça educação ambiental é quase um sonho distante. Mas, em termos de comunicação, precisaria de uma mudança no jornalismo e na publicidade. Empresas de jornalismo passarem a pautar meio ambiente e sustentabilidade todo dia e planejarem comercialmente mesmo a pauta, como é feito com futebol e entretenimento. E empresas socioambientalmente responsáveis tanto ajustarem comunicação e marketing aos seus sistemas de gestão ambiental e políticas de responsabilidade corporativa quanto investirem no jornalismo ambiental e no jornalismo convencional. Se a gente não vê todo dia, várias vezes ao dia, informações, inspirações e engajamentos em relação ao meio ambiente e à sustentabilidade fica difícil fazer o download da consciência ambiental. Por que a gente fala de futebol no buteco, no almoço de domingo com a família, no churras, na festa de casamento? Por milagre, não vai rolar. E especialmente quem lucra com sustentabilidade precisa investir nessa comunicação de propósito. Esse, aliás, é o tema do meu trabalho de conclusão da especialização em gestão ambiental, que eu concluí em 2014: COMUNICAÇÃO DE VALOR PARA O DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL, especificamente a Comunicação Empresarial e a incorporação da Gestão Socioambiental para mudar suas influências sobre a sociedade no sentido da Sustentabilidade. Quero publicar ainda nesse primeiro semestre porque tá bem atual.

  • A importância das redes sociais em tempos de “pistolagem”

As narrativas de odiadores e negacionistas tão espalhadas pelas redes sociais, com robôs, ciborgues, milícias digitais. Então, ambientalistas e produtores de conteúdo especializado precisam usar melhor as redes sociais pra potencializar as narrativas socioambientais

  • Marketing e sustentabilidade

Marketing e sustentabilidade em tempos de internet e redes sociais eu resumo em repetição e relevância. O que é relevante comercialmente é repetido nas redes sociais à exaustão, seja jornalismo, publicidade ou o misto dos dois, o que não significa que seja relevante, quer dizer apenas que se quer vender a ideia e os produtos e serviços associados. E conteúdo relevante, como o produzido pelo jornalismo especializado, precisa ser repetido várias vezes ao dia, todo dias, por semanas, todo mês, trimestralmente. Não basta produzir, não adianta copiar e colar título, tem que repetir pra afirmar a relevância do conteúdo e pra alcançar mais pessoas, nem toda a sua audiência tá on line quando você solta nas redes. Cada rede tem seu jeito, então, não basta os repliques automáticos de uma pra outra, precisa ajustar a linguagem pra cada uma, estruturar o texto. O Twitter, por exemplo, tem um sininho ali no perfil que é pra gente clicar e ativar as notificações, então, quem produz conteúdo tem que programar chamadas pra essa ação de clicar no sininho pra sua audiência não perder publicação. Quer que a sua audiência clique no link? Tem que escrever clica pra saber mais, vem ler no site. São técnicas de  marketing de conteúdo, são usadas pra vender produtos e serviços, que podem ser aplicadas à produção e distribuição de conteúdo relevante, desde saber o que se quer com uma publicação [informar, engajar, inspirar], estruturar o texto que vai dar esse comando pra audiência a planejar o que pode ser programado, agendado, como informações institucionais, chamadas pra ação [seguir nas outras redes, ir no site, pesquisar temas] e conteúdos já publicados [repetição] e reformatar conteúdos.

  • Fake news e discurso de ódio

Informação falsa e discurso de ódio não se combate nem com mais informação falsa nem com mais discurso de ódio. Tem tecnologia pra responder de imediato, pra avisar ó isso é falso, aqui o fato, a fonte, tipo um robô pra desmentir negacionista. O ITS tá com inscrição aberta pro curso on line sobre as tendências pra 2020 e uma das disciplinas é Fake News e automação nas eleições. Depois que eu fiz o workshop da Redes Cordiais, que dissemina entre influenciadores digitais conhecimentos sobre comunicação não-violenta, combate às notícias falsas e educação digital para as redes sociais, eu sugeri fazer um específico pra ambientalistas, porque a gente tá sofrendo com essa “nova era” de desinformação e negacionismo da ciência, de dados, de desqualificação da atuação técnica profissional, de desmonte da política ambiental e do sistema ambiental, e de inversão da realidade, como fiscalização é fora da lei. O fiscal do Ibama que tá lá no interior do Pará interditando um posto de gasolina irregular que abastece tratores e caminhões a serviço do desmatamento ilegal, ele tá protegendo os moradores de uma explosão pelo manejo indevido de combustível, mas é tratado como um criminoso, isso é uma inversão violenta, física, da realidade. A gente que não tá na linha de frente precisa se preparar mais e melhor não pra disputar narrativa com odiadores, negacionistas, validadores de criminosos e criminosos e sim pra potencializar as narrativas com informação verdadeira, apurada, credibilizada, e com conteúdos de engajamento e de inspiração.

  • Chaves para manter o diálogo com civilidade

A principal chave pra manter o diálogo nas redes com civilidade é treinamento. Conhecer recursos e regras das redes, usar os recursos como ocultar comentário que desmente a notícia apurada sem fatos ou dados ou sem fonte, bloquear odiadores pra evitar que atraiam outros pra sua publicação, pro seu tuíte, pra sua informação credibilizada, e denunciar comentário que 

expõe terceiros ou que tem informações falsas, discurso de ódio, como racismo contra indígenas. E não, isso não é censura, as redes fornecem os recursos pra gente usar, se proteger e proteger também a nossa audiência: o que é importante pra ambientalistas influenciadores e meios especializados é definir a política de relacionamento e dar transparência a ela nas redes, ou seja, explicar o que é aceitável, o que não é aceitável e o que a moderação de comentário faz quando os limites de convivência são ultrapassados em uma publicação. A política de relacionamento é importante também porque manter comentários com exposição de terceiros e discurso de ódio, como desejo de morte, tem implicações jurídicas, é conivência. 

  • Considerações finais

Eu gosto de terminar as nossas conversas no Apenã pedindo uma frase ou pensamento que você queira deixar para os nossos ouvintes.

A frase que eu quero deixar é a grande sacada do pessoal do observatório do clima pra explicar que viver ou estar na amazônia não é martírio, é privilégio, e que de certa forma resume um pouco da nossa conversa, pela assertividade, pela abordagem e concisão que pega nas redes sociais: hashtag confina eu

Links relacionados:
twitter.com/beatrizdiniz/status…1187091017952124929
twitter.com/beatrizdiniz/status…1188108153029828608

Meli Rede de Abelhas da Amazônia:
www.youtube.com/watch?v=LNsAoPI7K…&feature=youtu.be


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