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A liberação de inseticidas perigosos para a vida

Legalidade do Fipronil e seus impactos na vida das abelhas

Se interessa na proteção de abelhas, dá uma olhada nesse projeto 😉

Aatual apicultura passa por grandes problemas: a morte massiva e o desaparecimento de abelhas, em especial da espécie Apis mellifera. Dentre os principais culpados, aponta-se um inseticida, por ser utilizado indiscriminadamente como defensor agrícola, principalmente, nas culturas de batata, cana-de-açúcar, milho, algodão, arroz, eucalipto e soja, ou seja, está presente, em grande parte da agricultura nacional.

O Fipronil é um inseticida, descoberto em 1987 pela transnacional Rhône-Poulec, introduzido no mercado em 1993, regulamentado e permitido no Brasil desde meados de 1994. É utilizado no controle de insetos em plantações, bem como contra pulgas e carrapatos em animais domésticos.

A contaminação das abelhas por esse inseticida acontece devido ao uso em excesso da substância, que permanecendo no ambiente por um longo período de tempo é dissipado no momento da irrigação, contaminando, principalmente, a água e o solo, fazendo com que os insetos não-alvo, que entram em contato com o ambiente contaminado, sofram também, a ação desse.

A substância age no sistema nervoso do inseto, além de atuar bloqueando os canais de sódio, o que causa excitação nervosa excessiva, paralisia severa e morte ou grave deficiência na atividade dos neurônios, ligados ao aprendizado e memória, alterando as estruturas cerebrais. Quando a abelha é exposta ao produto e essa não vem a morrer imediatamente, ao ir para a colmeia, estando infectada, a substância presente em seu corpo contamina as demais abelhas, ocasionando o Distúrbio do Colapso das Colônias (CCD), ou seja, o enxame começa a morrer de forma demasiada.

O uso inapropriado da substância atinge a função vital que as abelhas têm na natureza. Ressalta-se, que elas são responsáveis por polinizar cerca de 90% da produção de plantas com flores. Além disso, 70% das plantas cultivadas para alimentação, principalmente frutas e verduras carecem de polinização. Encarregadas, ainda, a garantir o equilíbrio do ecossistema. (IPBES,2016)

Essa circunstância demanda urgência de novas políticas públicas que restrinjam o uso da substância, que segundo levantamento realizado pela ONG Repórter Brasil em conjunto com Agência Pública, nos meses de dezembro de 2018 a Fevereiro de 2019, 500 milhões de abelhas foram encontradas mortas, no qual a grande maioria dos casos registradas no Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Mato Grosso do Sul e São Paulo.

Enquanto isso, segundo a Anvisa, sua classificação toxicológica, está no nível II, isto é, moderadamente tóxico. Cabe dizer que sua liberação é para uso em pequenas quantidades, que não chegariam a trazer tais danos ao ambiente, mas a autorização deixa brecha para seu uso desordenado, sem que haja medidas de coerção quanto a sua utilização abusiva.

O uso desenfreado do Fipronil traz tantos malefícios quanto se possa imaginar: a morte das abelhas e de outros insetos, a contaminação do solo, da água, entre tantos outros fatores a esses interligados. Esse desequilíbrio ecológico vai na contramão do artigo 225 da Constituição Federal. Assim a questão da legalidade de tal agrotóxico se torna complexa, já que por um lado apresenta todas as autorizações legais para o seu uso, mas por outro prejudica o equilíbrio ambiental previsto na constituição.

Art. 225 Direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, bem de uso comum do povo e essencial à sadia qualidade de vida, impondo-se ao Poder Público e à coletividade o dever de defendê-lo e preserva- ló para as presentes e futuras gerações.

O direito ao meio ambiente sadio, segundo o jurista Édis Milaré, configura-se, na verdade, como uma extensão do direito à vida, quer sob o enfoque da própria existência física e saúde dos seres humanos, quer sob o aspecto da dignidade desta existência — a qualidade de vida, que faz com que valha a pena viver.

Além da alarmante situação ecológica e da ilegalidade da situação, há ainda consequências econômicas, tendo em vista que de acordo com a Associação Brasileira de exportadores de mel, o mel brasileiro é considerado um dos mais puros, tendo grande aceitação no mercado internacional. Utilizado na composição de diversos produtos, o Brasil está entre os 10 maiores exportadores de mel no mundo. (ABEMEL,2018) Porém, a sua contaminação por Fipronil, o faz impróprio para sua comercialização, trazendo, assim, um proeminente prejuízo para e economia acerca da exportação do mel.

É certo que há, mesmo que tímido, algum esforço para que essa situação se modifique, como a iniciativa do governador de Santa Catarina que criou uma medida provisória que traz uma tributação mais elevada aos agrotóxicos, variando conforme seu grau de toxidade. Medidas como essa, visam uma agricultura saudável e livre de maiores riscos, tanto à natureza quanto às pessoas que consomem os produtos.

Atualmente, a legislação vigente, diz que os produtos do tipo, só podem ter a sua autorização concedida, posteriormente à aprovação dos órgãos de saúde responsáveis pelo controle de comercialização, ANVISA e IBAMA. A atual alteração da Lei 7.802, de 11 de julho de 1989, não modificou essa sistemática, entretanto, várias regras foram enfraquecidas quanto ao uso, controle e fiscalização. Desta forma, houve ao mesmo tempo a desburocratização e redução do tempo de registro dos defensivos agrícolas no país. Ressalta-se que a ONU já alertou o Congresso sobre os riscos de tais medidas.

De maneira irresponsável, ainda, foi dada maior concentração de poder ao Ministério da Agricultura, que podem liberar vários produtos sem antes da conclusão de análise dos demais órgãos de saúde, se bastando apenas de um relatório temporário, o que vai contra o que foi estabelecido anteriormente em prol da segurança pública no que diz respeito à saúde.

Bom, ainda que fosse mantida uma legislação pertinente a regras vigoradas desde a criação da Lei de 1989, tem-se uma ineficiência quanto aos levantamentos de dados, limitando bastante o rastreamentos dos produtos tóxicos no solo, no ar ou na água, devido a falta de incentivo a pesquisas no Brasil.

Dessas forma, diante de todo exposto, percebe-se a urgência que o Estado brasileiro tem na elaboração de novas normas que verifiquem a legalidade, bem como a procedência do Fipronil e de outros inseticidas que contaminam o meio ambiente. As abelhas são imprescindíveis para nossa sobrevivência e o seu imoderado desaparecimento é um alarme de que há um problema no ecossistema. Não podemos esperar um desastre para realmente agirmos, a extinção das abelhas nos levariam ao caos, e cabe ao Estado solucionar essa violação, assim como, a população cobrar uma mudança nas políticas em torno do ambiente.

Autor: Grupo de estudo sobre as consequências dos agrotóxicos no meio ambiente do Centro Universitário de Anápolis- UniEvangélica, coordenado pela professora Me. Áurea Marchetti Bandeira em cooperação com as acadêmicas: Eliza Maria da Silva Porto, Érica Mara de Freitas Matos, Jade Ventura Giordano, Renatta Pereira Gontijo Freitas.

Referências

Avaliação dos efeitos tóxicos da exposição pré-natal ao fipronil na prole de ratas Wistar/ Mariana Sayuri Berto Udo — São Paulo 2012

Irrigação contínua e intermitente em arroz irrigado: uso de água, eficiência agronômica e dissipação de imazethapyr, imazapic e fipronil/ por Rafael Friguetto Mezzomo; orientados Luis Antonio de Avila. — Santa Maria, 2009

O agrotóxico que matou 50 milhões de abelhas — Aline Torres, BBC Brasil, São Paulo, julho de 2019.

Revisão da Legislação Brasileira de Agrotóxicos — Ministério da Agricultura, Brasília, junho de 2019.

Milaré, Édis. Princípios fundamentais do direito do ambiente. Justitia, São Paulo, 1998.

ANVISA. Consulta Pública n° 201, de 07 de junho de 2016.Disponível em: http://portal.anvisa.gov.br/documents/10181/2822901/CONSULTA+P%C3%9ABLICA+N+201+GGTOX.pdf/dc7c63e0-9ae5-400a-ba85-5161ba95248a


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A Casa em Chamas

Por Gabriel Costa Oliveira

O título desse pequeno texto deriva de uma leitura feita há alguns anos enquanto o mundo era, ou ao menos parecia ser, um lugar menos incerto. Carl Sagan, talvez o maior comunicador de ciência da história, narra em seu derradeiro livro, O Mundo assombrado Pelos Demônios, uma antiga anedota budista com o mesmo título desse texto: A casa em chamas.

Nela um velho homem de vida próspera mora em uma grande casa com seus muitos filhos. Entretanto, um belo dia a casa irrompe em chamas e o velho homem, atento às chamas que o cercam, foge rapidamente do interior da casa, todavia, ele se depara com o horror de que seus muitos filhos distraídos em seus afazeres domésticos, jogos e brincadeiras não percebem as chamas e não tentam fugir delas perecendo em meio às labaredas.

Essa história seria ao menos prosaica se fosse ficcional, mas é extremamente trágica já que é vividamente real. Sim, nossa casa está em chamas, metafórica e literalmente. A Terra, lar da humanidade, está gradativamente mais quente e por influência direta humana.

Bem, você deve estar achando que as chamas são metafóricas ou exageradas, mas pelo segundo ano consecutivo o mundo enfrenta ondas de calor massivas: as temperaturas estão chegando à casa dos 50 graus Celsius no interior da Índia nas últimas semanas, nunca fez tanto calor neste período do verão na Finlândia. Em 2018 dezoito países do hemisfério norte enfrentaram uma das maiores ondas de calor de sua história, e que veio acompanhada de incêndios florestais (no Canada, Estados Unidos, Grécia, Suécia, Portugal e Rússia), mortes e hospitalizações de centenas de pessoas (como no caso japonês com 30 mil pessoas hospitalizadas) e bilhões de dólares em prejuízos.

Mas, pode-se argumentar que tais ondas de calor são fenômenos naturais, fatalidades trágicas em um sentido mais amplo. Certo? A resposta para essa questão é um sonoro “ Não”. Um estudo publicado no periódico científico americano Earth’s Future aponta que as ondas de calor que afetaram o hemisfério norte em 2018 não poderiam ter ocorrido sem o intermédio da mudança climática induzida pelo ser humano.

Mas, como eles chegaram à essas conclusões? Bem, trocando em miúdos o estudo comparou diversos modelos climáticos, gerados por computador com base nos dados climáticos (como temperatura, precipitação quantidade de dias com temperaturas maiores que as médias anuais) recolhidos por estações meteorológicas e serviços governamentais ao redor do mundo. Utilizando esses dados, amplamente disponíveis à comunidade científica, é possível construir modelos que nos permitem testar previsões e fenômenos como as ondas de calor.

Portanto, sua principal conclusão foi a de que sem o acréscimo na temperatura global, provocado pela intervenção humana, a maioria dos modelos não previam ondas de calor como as de 2018 e de 2019. Isso se enquadra muito bem no resto das previsões feitas por diversos estudos de que os fenômenos climáticos extremos estão ficando mais comuns.

Com tudo isso posto, me vem uma pergunta à mente: por que ainda há tantos negacionistas da mudança climática? Como em especial os Ministros do Meio Ambiente, Ricardo Salles, ou o ministro das relações exteriores Ernesto Araújo. Aqui, retornamos a metáfora da casa em chamas. Eles são ou ao menos representam os interesses dos distraídos filhos do velho senhor da antiga anedota budista.

Em sua empáfia habitual eles não percebem as chamas que estão consumindo paulatinamente aqueles que essas figuras caricatas representam. No caso de Salles, que representa a “linha dura” do agronegócio brasileiro, as mudanças climáticas, relacionadas à eventos extremos como as ondas de calor do hemisfério norte, podem representar a perda de bilhões de reais, na figura de secas ou inundações que destruam as lavouras. No caso de Araújo, engajado em uma cruzada ideológica quixotesca contra inimigos imaginários, a negação da mudança climática afeta negativamente a visão do Brasil perante à comunidade internacional. O Brasil troca a posição de líder na procura de soluções dos problemas climáticos pela de pária. Fechando as portas metafórica e literalmente à muitas iniciativas de investimentos e parcerias que, de novo, terão custos econômicos e sociais ao país.

Por fim, em uma perspectiva bastante trágica, não há como escapar da casa em chamas. Nem os filhos que não percebem, ou ainda, não querem perceber o literal e metafórico calor das chamas, nem ao velho, encarnado aqui como os ativistas ambientais, cientistas e demais cidadãos conscientes dos perigos que se avizinham. Parafraseando novamente Carl Sagan: ninguém vira de lugar nenhum para nos salvar de nós mesmos.

Eu espero e acredito sinceramente no potencial da reflexão de espaços como esses, mas, deixo aos leitores o pedido: o tempo está se esgotando, precisamos agir aqui e agora.

Leia também: [Apenã #034] Caos Climático — Pedro Faria (CDP)


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Ceará pode virar novo laboratório para intervenção militar

Fortaleza, 3 de janeiro de 2019
por Haroldo Barbosa

Coluna de viaduto na BR 020, após explosão de bomba no local.
Viaduto segue interditado.

Circulam na cidade de Fortaleza e em grupos do WhatsApp, três salves (informes) assinados pelo “crime organizado” e datados de 23 e 28/12/18, e de 03/01/19.

Nos dois primeiros, o chamado “crime organizado” pede para uma trégua temporária na disputa entre facções e a união para enfrentar o problema da repressão que deve se aprofundar no sistema prisional, citando especificamente o governador Camilo Santana (PT) como responsável por “trazer problemas”.

Há ameaças de parar o estado explodindo viadutos, pontes, trilhos de trem e metrô, caso sejam atacados. Acirramento.

Durante sua posse, dia 2, o titular da Secretaria de Administração Penitenciária do Estado (SAP), Luís Mauro Albuquerque, fez questão de afirmar que “Eu não reconheço facção. O Estado não deve reconhecer facção. A lei não reconhece facção”. Acrescentando ainda que “Quem manda é o Estado”. Em seguida sinalizou que mudará o modo como o Governo do Estado lida com a divisão de detentos nas unidades prisionais do Ceará, colocando doravante detentos de diferentes facções no mesmo presídio. Com isso, o secretário acendeu o barril de pólvora.

Durante a noite do dia 2 e o dia 3, que ainda não terminou, Fortaleza e a Região Metropolitana estão vivendo horas de terror. Bomba em viaduto; ônibus, casas, veículos públicos, fotossensores e van incendiados; agência bancária metralhada; princípio de rebelião em presídio e população em pânico.

Por volta do meio dia, a Empresa de Transporte Urbano de Fortaleza (Etufor), sem dúvida seguindo diretriz do Sindicato das Empresas de Ônibus (Sindiônibus), anunciou que a frota de coletivos de Fortaleza e RMF seria reduzida, o que é um eufemismo para dizer que os ônibus vão praticamente parar de circular.

Procurado pela imprensa na manhã do dia 3, o secretário que fez bravata dizendo que não reconhece facção, preferiu calar e aguardar.

Ainda nesta manhã, general Theophilo, que disputou o Governo do Ceará com Camilo Santana e tinha como plataforma principal a Segurança Pública, ofereceu ao governador ajuda através de intervenção federal. O general foi recém empossado por Bolsonaro na Secretaria Nacional da Segurança Pública, tendo saído antes do PSDB, partido pelo qual foi candidato.

À tarde, Camilo Santana pediu ajuda ao ministro da Justiça e Segurança Pública, Sérgio Moro. Camilo pleiteou o auxílio da Força Nacional de Segurança, do Exército e da Força de Intervenção Integrada (FIPI), da qual o secretário Luís Mauro foi coordenador, agindo inclusive durante motins em presídios cearenses em 2016.

De imediato, o general Theophilo “informou que o Governo Federal já esperava ações de facções criminosas em represália à posse de Jair Bolsonaro (PSL)”. Isso parece um tremendo oportunismo político. Em nenhum dos salves que vi se faz qualquer menção a Bolsonaro ou a seu governo.

No terceiro salve, com data do dia 3, os criminosos pedem a demissão do titular da Secretaria de Administração Penitenciária do Estado (SAP), Luís Mauro Albuquerque e ameaçam parar o estado atacando também bancos, delegacias e Correios se isto não ocorrer.

O general também declarou que “Não vamos negociar com criminosos, vamos partir para o confronto”. Quem ganha com isso? Embora tenha sido duramente criticada pelo general durante a campanha eleitoral para governador do Ceará, a política de Segurança Pública de Camilo Santana é muito similar ao que prega Bolsonaro. E tem sido um completo fiasco, deixando o estado afogado em sangue (só em 2018 foram mais de 4500 assassinatos). O governo fracassou também no enfrentamento às facções, inclusive quanto estas foram abertamente para o confronto nas ruas.

Enquanto escrevo este artigo, no final da tarde, recebo relatos de vários pessoas que não estão conseguindo pegar ônibus para voltar para casa e nem sabem como vão trabalhar amanhã. Em vários bairros de Fortaleza e da RMF, os ônibus pararam de circular às 14h. Agora há pouco recebi informação de um sequestro contra funcionários de uma escola municipal no bairro Canindezinho, em Fortaleza.

Já existem pessoas feridas em decorrência das ações criminosas e o clima de temor é geral. Por enquanto a polícia prendeu 12 pessoas, supostamente envolvidas nas ações, o que é quase nada, considerando o número de faccionários existentes hoje no estado.

Enquanto o governador, o secretário, o general e o ministro fazem política e ameaçam transformar o Ceará em um novo laboratório para intervenção militar, como ocorreu no Rio de Janeiro,  e os criminosos continuam tocando o terror, a única certeza que temos é que mais uma vez quem mais vai sofrer é a população pobre, que depende do transporte urbano para se locomover, que é vítima da violência (inclusive policial) na periferia e em nome da qual todos falam, mas poucos se importam de fato com o que acontece a estas pessoas.

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Pedalada na rodovia Anchieta

40 mil.

Esse foi o número de pessoas que desceram para santos usando uma via exclusiva para carros. Porém desta vez estava exclusiva para bikes!

Em 2012 foi organizada a rota Márcia Prado que visava apontar o caminho para o litoral fugindo da Rodovia Anchieta que é proibida para bicicletas. Neste ano foram cerca de 10 mil ciclistas. E a balsa foi o ponto do trajeto que mais cansou, pois foram 6 horas parados que ficamos esperando para pode atravessar.

Este ano (2018) finalmente foi conquistado o direito de ir a Santos pela Anchieta, mesmo que somente por um dia. Por conta do histórico da rota Márcia Prado eu sabia que não ia ser simples ainda mais com os números crescendo dia a dia, no dia do planejamento eram cerca de 30 mil ciclistas inscritos. Sendo assim, combinei com Chicó e Nelson (ambos amigos ciclistas e participantes do grupo do podcast Beco da Bike no telegram) de nos encontrarmos no centro por volta das 5 da manhã para conseguirmos sair no primeiro grupo ou, como Chicó comentou, na pole position.

Dito e feito, chegamos antes do primeiro horário de partida (6 horas da manhã) porém já haviam muitas pessoas. Seguimos o trajeto com uma velocidade bem reduzida, em alguns pontos chegamos a parar por volta de 10 minutos por conta do represamento das pessoas. O que foi pouco pensando nas pessoas que foram mais tarde que ficaram cerca de 1 hora sem sair do lugar (lembra que eu comentei da Márcia Prado?!).

Pois bem, chegando no ponto da descida apesar de “serumaninhos” que não sabem viver em sociedade e desciam em alta velocidade arriscando manobras muito perigosas para ele e para os outros, presenciei 2 acidentes. Um deles grave, onde o rapaz ficou deitado no chão esperando o resgate e o outro que foi leve, apenas as bicicletas ficaram avariadas. Esse foi um dos motivos para querer sair mais cedo também, assim evitamos muitos irresponsáveis que tendem a sair mais tarde.

Sem muitos problemas, consegui ter uma visão sensacional da serra. O único problema maior que tive durante o percurso foi com meu pneu, que furou no fim da descida.

Chegamos por Volta das 9:30 na praça das Bandeiras em Santos, desfrutamos de chopp e peixe. Encontramos o Danilo (também membro do Beco da Bike) e por volta das 16h fomos procurar uma passagem de volta para São Paulo (uma vez que não podíamos pegar a estrada para voltar) Conseguimos um Ônibus para as 20:30h, pois o resto já estava cheio.

Com atraso de 30 min deixamos as bicicletas no bagageiro do ônibus e voltamos pro terminal Jabaquara em SP, por volta das 23h chegamos e seguimos para o metrô que estava tomado de bicicletas.

Foi um do evento com melhor sucesso que já participei. Todos trabalharam perfeitamente, governo, concessionária, voluntários e ciclo-ativistas. Por mais que tenham ocorrido alguns acidentes, eles foram ínfimos perto da grandiosidade que este evento representa. Por mais de 10 anos lutamos para ter o simples direito de ir pra praia de bicicleta. Neste dia além de fazer esse trajeto, conquistamos muitas pessoas ao cicloturismo fazendo-as ver como é maravilhoso se deslocar de bicicletas e que 60 km não são nada. Logo, meus 15 km pra ir trabalhar são menos ainda. Sem contar todas as pessoas que não foram ficaram loucas para ir no ano seguinte.

Acredito que esta foi uma enorme pedalada e que nos trará muitos frutos para os próximos anos. Agradeço a todos que lutaram por anos para chegarmos aqui. MUITO OBRIGADO!

 

Texo de Philip Steffen, do Beco da Bike e o Filmante, que já esteve conosco no ep Papo Apenã #002 – Cicloturismo:

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Flores silvestres

Foto: Ítalo Lopes da Rocha.

Existem flores em todos os lugares do mundo. Elas não precisam ser delicadas. Elas podem encontrar seu próprio caminho para obter água, luz e nutrientes para florescerem em toda sua magnificência e compartilhar seu delicioso aroma com o quem elas bem entenderem.

Às vezes a natureza dessas belas flores pode ser ferida. Eu vim aqui para lhes contar sobre um episódio interessantíssimo. Ele começa quando o macaco que estava balançando em torno das árvores, de galho em galho, encontrou uma orquídea seca no caminho. Ela era tão bonita, mesmo estando doente, que o macaco teve de ir correndo ao rio para pegar água e hidratá-la um pouco. E foi assim o início de uma forte amizade.

O macaco ia visitar sua amada amiga todos os dias, ele gostava de mostrar a todos a importância que sentia ao trazer água para uma flor tão bonita. Eles conversavam horas, sobre um monte de coisas. O macaco até dizia como sua vida era triste e sem sentido antes de conhecer a flor, mas agora ele poderia se sentir muito mais forte e poderoso. A flor concordava, ela também estava muito triste e doente antes de conhecer o macaco, ela quase sentiu o frio da morte vindo em sua direção!

Mas não demorou muito e a flor não conseguiu aguentar mais tanta água, então ela pediu ao macaco para deixá-la enfrentar o Sol novamente, pois o macaco insistia em a proteger, para que isso não acontecesse. Ouvir esse pedido foi algo muito triste, e até um pouco doloroso, para o macaco. Ele tinha certeza de que sabia o que a flor precisava! Como ele poderia deixar a flor enfrentar o Sol se isso significava que ele precisaria deixá-la sair de sua área de proteção? Mas tudo bem, ele sabia que a vontade da flor deveria ser respeitada.

Foto: autor.

Na manhã seguinte, ele não foi correndo (“proteger” e) conversar com a orquídea, mas fez um esforço para não sufocá-la e foi a procura da abelha para uma conversa. A abelha era conhecida por ser muito esperta e amar as flores! O macaco contou-lhe o que estava acontecendo e quis ouvir a sua opinião.

Ela disse a ele o quão forte a flor poderia ser e quão profunda eram as suas raízes. Ela disse também que a orquídea não iria morrer sem o macaco, mas estava apenas enfrentando o período seco do ano, quando a flor poupava suas forças, para poder novamente florescer forte na próxima estação.

– Não! — disse o macaco — A flor está doente! Eu sou o único a ajudá-la! E eu sou importante por causa disso!

O macaco estava bravo com a abelha, não podia acreditar que ela disse que sua ajuda era irrelevante! Logo o macaco, um dos animais mais inteligentes da redondeza, capaz de manusear um monte de mecanismos, até mesmo para trazer a água do rio para a flor! A abelha não poderia fazer isso! Ela deveria estar com ciúmes! Só pode ser esse o motivo para tantas asneiras! Assim, o macaco foi encontrar a sua querida orquídea.

A flor estava ainda mais bonita, ela quase podia brilhar como o crepúsculo trazendo um céu todo estrelado. O macaco queria dizer a ela como a abelha era estúpida, mas a orquídea falou primeiro:

– Oh, macaco! Veja! O sol foi tão bom para mim! Eu estou florescendo para todos os lados! Acho que era normal, pois parece que durante alguns meses do ano, todos os anos, as orquídeas ficam “doentes” e sem flores. Mas agora eu estou forte novamente!

O macaco estava triste. Ele não podia acreditar, ele tinha tanta certeza de que era graças à sua ajuda que a flor estava se tornando mais forte… Ele ainda não conseguia acreditar que poderia estar errado, a única saída era mostrar a verdade à flor, pois só assim ela o amaria de novo.

Então ele teve uma idéia! Ele iria mostrar à abelha, e todo mundo, que a flor precisava dele!

O primata trouxe um copo de vidro, para concentrar a luz do sol e acelerar o que o Sol estava fazendo com a flor — então sua água seria necessária novamente!

Ele esperou pelo primeiro raio de sol, enquanto a flor ainda estava dormindo.

A orquídea acordou gritando, algo a estava machucando!

– Ooooh! O que é isso? Socorro! Macaco, macaco! Eu preciso de ajuda! O Sol está me machucando!

O macaco ficou feliz em ouvir isso, mas ele disse à flor:

Estou apenas acelerando o que o Sol estava fazendo com você e mostrando que ele não era bom para você, mas eu nunca iria machucá-la.

– O quê? É você? — perguntou a orquídea — Pare, por favor! Isso dói!

E o primata parou, mas não antes de machucar a flor, mesmo sem ter sido essa a sua intenção.

A abelha, que já estava trabalhando ao redor das flores lá perto, voou para ajudar a orquídea. A abelha não podia acreditar no que aconteceu, ela sabia que o macaco amava a flor e não conseguia imaginar que ele pudesse a machucar.

– Oh, macaco, você precisa deixá-la florescer sem se intrometer. Vocês serem são fortes sozinhos e essa força é multiplicada quando estão juntos. Quando as flores compartilham o seu pólen e permitem que eu o transporte, elas crescem felizes e saudáveis. Essa é a mágica de compartilhar com o próximo, mesmo sabendo ser ele um ser independente.

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O passado nao é mais como era antigamente

Haroldo Barbosa.
Artigo publicado no Bit Autônomo e no portal O Povo/Blog do Eliomar

“Quem controla o passado, controla o futuro; quem controla o presente, controla o passado…”

A frase acima do livro 1984, de George Orwell, publicado em 1949, é um dos casos em que a vida imita a arte. Desde há muito tempo os poderosos sonham com a possibilidade de controlar a história e mais que isso: a memória, as recordações das pessoas. Hoje com o big data, a globalização e o consumo de informações de forma quase que exclusivamente virtual, isto já está acontecendo. Assim, a história pode ser constantemente reescrita, ter passagens suprimidas ou acrescidas ao bel prazer de um punhado de milionários, governos e corporações. E o valor disto para estes é incomensurável, afinal quem controla o passado…

Quanto vale, por exemplo, para a Wolkswagen apagar da sua história o fato de que usou mão de obra escrava fornecida pelo nazismo em suas fábricas durante a II Guerra Mundial?

O quanto é importante para os donos do jornal Folha de São Paulo fazer esquecer o fato de que apoiaram e financiaram a ditadura militar brasileira iniciada com o golpe de 1964?

O que o pré-candidato à presidência, Jair Bolsonaro, que hoje posa de machão e defende o armamento de todos como parte da solução para a violência, daria para fazer esquecer o momento em que armado, foi assaltado, não reagiu, entregou a moto e a pistola aos dois assaltantes e ainda disse “mesmo armado, me senti indefeso”?

Os casos acima são exemplos bem conhecidos e dos quais restam registros, mas e os milhares, senão milhões de outros que ocorreram, estão ocorrendo e vão ocorrer?

Em seu livro Sociedade do Espetáculo (1968), Guy Debord falando dos regimes totalitários diz que “O projeto, já formulado por Napoleão, de ‘dirigir monarquicamente a energia das recordações’ encontrou a sua concretização total numa manipulação permanente do passado, não só nos significados mas também nos fatos’.

Este ano o governo chinês proibiu mencionar em redes sociais palavras e termos críticos ao Partido Comunista e ao ditador chinês, Xi Jinping. Entre os vários termos, curiosamente estão os livros “1984” e “Revolução dos Bichos”, de Orwell. Se você quiser escrever determinadas palavras, simplesmente as mesmas não serão publicadas e nem buscas feitas pelos termos proibidos.

O desaparecimento, a proibição, a não divulgação e a alteração de conteúdo vem sendo cada vez mais constantes. Há muito que ativistas como Julian Assange, do Wikileaks, denunciam estes fatos. Em seu livro “O Filtro Invisivel”, Eli Pariser chama atenção para a s bolhas criadas pelo Google, Facebook, Amazon e outros, para que seus acessos, resultados de busca e etc. sejam controlados e direcionados.

No livro “Quando O Google encontrou o Wikileaks”, Assange cita o caso de artigos tirados do ar ainda em 2003 pelo jornal inglês Guardian e de sites que denunciaram construtoras e que não encontraram mais servidores que quisessem mantê-los online.

Em agosto de 2017, um dos maiores portais de notícia do Ceará simplesmente sumiu do dia para a noite com uma notícia que tratava da remoção da defesa das dunas do parque do Cocó. E os exemplos são muitos.

Mas o arsenal de manipulação vai além. Donald Trump, presidente norte-americano eleito com base em mentiras, é um dos maiores expoentes da pós-verdade, na qual não importam os fatos reais, o que aconteceu, mas sim no que se acredita. Trump usa largamente as redes sociais para falar diretamente a seus seguidores, evitando a imprensa e atacando jornalistas e veículos que podem contestá-lo.

Muitos outros políticos seguem seu exemplo e buscam dirigir-se diretamente a seu público. O governador do Ceará, Camilo Santana (PT), é um deles. Ele usa seu perfil para anunciar obras e ações, dar broncas em secretários e até para divulgar reajuste salarial dos servidores. Na era da pós-verdade, é mais cômodo fazer monólogo.

Vivemos em uma era na qual ao comprar uma TV já aceitamos ser gravados em casa, temos nossa privacidade violada por aplicativos em computadores e smartphones, somos vigiados por milhares de câmeras nas ruas e em locais privados e até mesmo nosso direito à memória e a história nos está sendo negado.

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A sobrevivência do mais gentil

“Se a gente é o que como. Quem não come nada some. Deve ser por isso que ninguém enxerga toda essa gente que passa fome.” Em um ônibus pela cidade de Marabá. Fonte: Autor.

 

Um dia eu peguei o ônibus “São Félix”, saindo da Cidade Nova, passando pela Cidade Velha e fazendo o trajeto mais longo possível, até a Universidade Federal, em Marabá (PA). Eu fui para o fundo do ônibus e sentei do lado de um senhor bem simples e pele castigada por uma vida recheada de trabalho duro. Sem nenhum interesse em interações sociais, eu peguei o livro que estava na bolsa e comecei a ler durante o percurso. Percebi que o senhor estava sentado na alça da minha bolsa, interrompi a leitura e puxei levemente a alça, para não incomodá-lo. Nesse momento ele me pediu desculpas e eu respondi que era minha culpa, por deixar minhas coisas sempre tão espalhadas. Ele respondeu com um não esperado (e fora de contexto) “você merece”.

Esse foi um momento muito intenso, eu quis não entender, mas como uma estudante universitária branca, eu não pude deixar de sentir nos meus ombros o peso de uma história repugnante, que vem desde o período escravocrata e segue vendo com normalidade todas as regalias que a sociedade continuou separando para uma pequena classe dominante. O normal é ferir o primeiro artigo da Declaração Universal dos Direitos Humanos, que diz: “Todos os seres humanos nascem livres e iguais em dignidade e em direitos. Dotados de razão e de consciência, devem agir uns para com os outros em espírito de fraternidade”.

O senhor do ônibus não conseguia se conectar comigo. Muitas pessoas devem passar por ele sem se conectar de forma alguma. Ele provavelmente sente diariamente na pele o significado da palavra desprezo. Nós conversamos. Ele estava visivelmente feliz por finalmente alguém ter tirado um tempo para conversar com ele. Ele veio da mesma cidade que eu nasci. Ele conhece a área onde meus avós moram, bem o suficiente para me recomendar um bom bar na minha próxima visita ao Conjunto Ceará. Nós nos conectamos. Ele me disse que iria se lembrar de mim no seu coração. Eu fiquei extremamente tocada.

A nossa capacidade de nos conectarmos com “o outro” é a coisa mais bela que podemos experimentar como seres humanos. Como Tom Shadyac sublinha no seu filme I am, a frase que melhor captura o pensamento de Darwin sobre o seu trabalho é “a sobrevivência do mais gentil” (ao contrário da frase do perigoso darwinista social Herbert Spencer, “a sobrevivência do mais apto”). No filme de Shadyac, ele destaca também que a palavra amor foi usada 95 vezes no primeiro livro de Darwin sobre seres humanos, A Descendência do Homem.

Há muitos exemplos sobre o quão belo é desenvolver empatia e perceber como a conexão humana não precisa de fronteiras. Como a Yolanda Rodrigues disse em entrevista, “empatia é o símbolo da paz mundial”. E um exemplo disso pode ser visto no filme Encounter Point, documentário que mostra como israelenses e palestinos foram unidos pela violência que seus familiares sofreram.

Um ato que parece simples, como agirmos com fraternidade, termos empatia com “o outro” e entender o quanto estamos conectados, faz uma grande diferença no nosso crescimento como sociedade. Darwin disse que em nossos predecessores hominídeos, as comunidades de indivíduos mais simpáticos tiveram maior sucesso na elevação da prole mais saudável para a idade de viabilidade e reprodução — condição necessária para evolução.

Foto: Maragda Farràs (https://unsplash.com/collections/139432/humanity?photo=UjGjirzkat4)

Pesquisadores de várias áreas vêm comprovando essa teoria de Darwin, como é ilustrado no experimento de Darlene Francis e Michael Meaney. Eles mostram que filhotes de ratos que tiveram um ambiente mais acolhedor e com mais altos níveis de contato tátil de suas mães, mais tarde se tornam ratos maduros, com níveis reduzidos de hormônios do estresse e têm sistemas imunológicos mais robustos.

E essa mesma resposta acontece em uma escala maior, quando temos nossa sociedade como referência. É o que mostra Richard Dawkins, autor do livro O Gene Egoísta, onde ele escreve que altruísmo não é algo contraditório ao egoísmo do gene, pois ele contribui para a sua sobrevivência da espécie. Ou Edward O. Wilson, que mostra que a nossa evolução de sociedade tribal em uma sociedade global favorece cada vez mais uma interação humana que tenha um comportamento compassivo e cooperativo, em vez de abordagens insensíveis e competitivas.

Pensando assim, não faz sentido nos trancarmos nos nossos sentimentos egoístas ou mantermos as regalias de uma classe dominante, pois a ciência mostra que uma sociedade empática e compassiva terá mais sucesso (e óbvia felicidade).

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Ruhrgebiet — cultura do conjunto

By T.M.L.-KuTV — Own work, Public Domain, https://commons.wikimedia.org/w/index.php?curid=7195941

No segundo semestre de 2012 vim pra Universität Duisburg-Essen pelo programa Ciências sem Fronteiras, onde fiz disciplinas, a parte teórica do meu trabalho de conclusão de curso e onde tive o apoio para a realização de um estágio. Tive um período bem proveitoso e fui muito bem recebida (tanto que quis voltar), vamos então tentar entender esse lugar um pouquinho melhor.

By Hans-Jürgen Wiese — Own work, CC BY 2.5, https://commons.wikimedia.org/w/index.php?curid=1581934

Foi na região conhecida como Ruhrgebiet (ou Ruhrpott, para íntimos) que a revolução industrial da Alemanha nasceu, onde estavam as minerações de carvão e a indústria siderúrgica que atraíram várias pessoas dos mais diversos países — e onde poderíamos encontrar vários desempregados quando o produto alemão se tornou caro demais para concorrência internacional. A crise ambiental da época do “ouro negro” na Alemanha foi ilustrada pela indústria cultural, como no filme smog, que mostra bem que a Alemanha teve muito o que reconstruir nas últimas gerações, inclusive sua perspectiva em relação ao meio ambiente.

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O que mais me atrai nessa região é a efervescência de oportunidades que a constroem. Mesmo sendo conhecida por ser uma das regiões mais complicadas do país.

As oportunidades que foram vistas em como foi encarada a grande problemática ambiental e hoje em dia a região pode nos dar lições do que (não) deve ser feito para construir um processo de industrialização sustentável, o que é ilustrado em como a indústria abandonada construiu espaços como a rota “Industriekultur” com seus parques, museus e vistas maravilhosas.

As oportunidades que estão sendo vistas ao aproveitarem a diversidade cultural proporcionada pela grande presença de migrantes, no respeito a essas diferentes culturas e na busca constante de receber ainda melhor essa população global, incluindo refugiados nessa equação.

Fonte: autor.

E e as oportunidades que poderão ser vistas como resultado de encontramos aqui as pulsantes possibilidades do centro da Europa e o seu grande potencial como a região metropolitana mais populosa da Alemanha. Se trata de um ambiente aberto e convidativo para novas iniciativas.

A Universität Duisburg-Essen, com seu slogan “open-minded” é uma das Universidades que fazem parte da Aliança das Universidades do Vale do Ruhr. A UDE tem aproximadamente 42.000 estudantes de mais de 130 países e o objetivo de ser um ambiente de grande diversidade e repleto de oportunidades para jovens dos mais diversos backgrounds. Acredito que ela está no lugar certo para atingir esse objetivo.

Fonte: autor.