[Papo Apenã #002] Cicloturismo – Philip Steffen

Papo Apenã – Crossover com Beco da Bike!!

O Philip Steffen, do podcast Beco da Bike, pedalou pela EuroVelo 15 e eu tive o grande prazer de encontrá-lo durante o percurso! Em parceria com a galera do Beco, fizemos um episódio sobre essa experiência.
Eu me juntei ao Phil durante o percurso de Duisburg (Alemanha) até Arnhem (Holanda) e fui picada pelo mosquitinho do cicloturismo!

O Flávio Carvalho também deixou um depoimento sobre sua rica experiência com cicloturismo pelo litoral piauiense! (Depoimento que faltou no ep. Ciclismo e o Futuro da Mobilidade)

Em um momento da minha conversa com o Phil, acabo trocando o rio Ruhr com o rio Reno em um momento – desculpas!

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[Apenã #25] Ciclismo e o Futuro da Mobilidade — JP Amaral

Os benefícios de trazermos as bicicletas para pensarmos na mobilidade que queremos!

Quando você pensa sobre mobilidade nas cidades do futuro, qual a primeira imagem que vem na sua cabeça quando pensa nisso? Com carros voadores ou em túneis em baixo da terra?
Bem, mas antes disso o Ciclismo e todos os benefícios do mesmo, especialmente para a nossa sociedade.

O amanhã que eu quero construir tem que ter bem mais bikes rodando!

Para essa conversa trouxemos o JP Amaral, cofundador da rede Bike Anjo e atualmente coordenador do projeto “Bicicleta nos Planos”. Ele é formado em Gestão Ambiental pela Universidade de São Paulo, trabalha com e pela mobilidade urbana sustentabilidade desde 2008 e é certificado como auditor na metodologia BYPAD — Assessoria em Planejamento para Bicicleta. Ele também é membro da rede Red Bull Amaphiko de empreendedores sociais e do Programa de Líderes do Futuro da Chanceler Alemã pela Fundação Alexander von Humboldt, atuando em cooperação internacional pela bicicleta.

E pra completar ainda mais esse episódio, trouxemos depoimentos de ciclistas do país inteiro e dos mais diversos tipos de pedal!
Ana Polegatch, ciclista profissional; o Werther e o Phill do Beco da Bike; a Rogéria Siqueira Quintão que curte cada pedalada, na sua vida diária e familiar; e Melissa Noguchi, do Pará que começou pedalando em trilhas, passou por cicloviagem e hoje em dia tem a bicicleta como meio de transporte, trazendo a bicicleta para o debate sobre a mobilidade urbana!


Como já é tradicional na preparação para entrevistas, nossos ouvintes participaram da nossa conversa com o JP Amaral nos enviando ótimas perguntas sobre o tema por nossas redes sociais (Twitter e Facebook). Devido ao tempo reduzido durante a ligação, as perguntas foram respondidas por e-mail, e você encontra todas elas aqui:

Phil, do Beco da Bike, por facebook:

  • Você acha que o futuro da mobilidade urbana será sempre focado em meios de transporte ativos(bicicleta, patinetes etc) ou podemos incluir meios mais individualistas como carros e outros tranportes?

“Com certeza a sociedade não reconheceu os meios de transporte ativos como soluções sérias para a mobilidade urbana. Portanto, este processo ainda vai demorar para ser reconhecido como foco no futuro, mas um dia chegaremos lá. E de fato, a solução para o futuro da mobilidade está na integração entre diferentes transportes. Desta forma, os carros e outros transportes vão continuar sendo parte da nossa sociedade e até mesmo da solução, mas sendo usados de outras formas, integralmente.”

  • Carros autônomos são um perigo ou um auxilio a mobilidade urbana?

“Carros autônomos vão demorar para chegar. O Google estima que levará cerca de 10 anos para ter uma tecnologia boa e segura para se usar nas cidades. Temos várias etapas a discutir ainda sobre carros autônomos, em especial sobre a garantia da segurança de pedestres e ciclistas no trânsito. No entanto, para a questão de evitar vários erros humanos no trânsito, como alta velocidade e alcoolismo, maiores fatores de atropelamento, ela poderá aumentar a segurança viária. O que precisamos discutir não é o fato de ser autônomo, mas sim de ser carro. Por que não falamos em transporte público autônomo? Ou em transportes coletivos de menor porte que otimizem o espaço da cidade? Esta é a grande questão a ser combatida no uso exagerado de carros nas cidades.”

  • Uma cidade mais automatizada seria uma cidade que prioriza o fluxo ou melhor convivencia entre as pessoas?

“As soluções urbanas para o trânsito ainda priorizam a fluidez, e não o convívio entre as pessoas. A automatização de fato está olhando para uma melhor fluidez de forma organizada. Este é o cuidado que temos que ter. A tecnologia vai trazer cidades melhores? Ou simplesmente cidades mais ágeis de se deslocar?”

Chicó, por Twitter:

“Não só daria certo como já existe em São Paulo. Temos hoje o sistema de bicicletas compartilhadas Bike Sampa e recentemente foi inaugurado no Terminal Tiradentes um sistema igual ao Bicicletar onde as pessoas podem pernoitar com a bicicleta. Agora São Paulo vai receber bicicletas compartilhadas sem estações (“dockless”), onde as pessoas poderão deixar as bicicletas em qualquer lugar. Estou animado para ver o sistema funcionando e acho que vai ser um sucesso!”

  • Como devemos proceder, a quem e como devemos reclamar de maneira mais efetiva, para que haja menos políticas urbanas e sociais que privilegiem automóveis?

“O Brasil tem a Política Nacional de Mobilidade Urbana desde 2012 que estabelece diretrizes claras de prioridades nas políticas urbanas a favor dos transportes ativo e coletivo. Todo mundo deve conhecer essa lei se quer cobrar na sua prefeitura para medidas mais efetivas. Leve esta lei para a Prefeitura, para a Câmara Municipal e para o Ministério Público para exigir que ela seja efetivada.”

  • Em linhas gerais, o que JP Amaral acredita ser solução de mobilidade urbana para grandes metrópoles, como São Paulo, por exemplo?

“Para grandes metrópoles, a solução está em dois fatores. A primeira é a integração entre os mais diversos meios de transporte. Temos que diversificar ao máximo. Dar opções e alternativas de baixa emissão e custo para as pessoas. Integrar bicicletas com transporte público é uma grande oportunidade para atingir toda uma cidade. O segundo fator é reorganizar o território da cidade. Tornar os empregos mais descentralizados e tornar os centros mais habitados e densos. Isso faz com que as pessoas tenham que percorrer distâncias menores, demandando menos transportes de massa ou carro.”

Marco, por Twitter:

  • Como deve ser e o que acham do aluguel de bicicletas?

“Os sistemas de bicicletas compartilhadas estão revolucionando as cidades do mundo e acho um serviço muito positivo para dar mais acesso à cidade. Para funcionarem bem eles têm que ser bem regulamentados por lei, baseado em estudos de demanda potencial para saber onde as bicicletas devem ser alocadas, além de um bom regulamento para o formato de patrocínio, de modo que o cidadão seja o mais beneficiado.”

  • O que acham de aplicativos como o Moovit?

“O Moovit fez algo que os governos deveria ter feito faz tempo: garantir a informação ao usuário de transporte público. Agora, o governo deve garantir isso sem depender de um aplicativo. Precisamos de informações acessíveis e confiáveis nos pontos de ônibus e na rua, além de sinalização para pedestres e ciclistas circularem na cidade.”

  • Usar veículos movidos a combustíveis fósseis contribui com guerras relacionadas ao petróleo?

“A dependência no petróleo gera uma série de conflitos em cadeia. Não apenas guerras, mas disputas políticas e econômicos no mundo todo. Ainda vamos depender do petróleo por um tempo, mas é possível sim imaginar a geração de energia que não dependa de combustíveis fósseis.”

O perfil do podcast Beco da Bike, por Twitter:

  • O que podemos fazer da forma prática e eficaz para que os crimes de trânsito envolvendo automóveis e ciclistas sejam encarados como crimes e não como acidentes de trânsito? Se uma pessoas mata a outra com uma arma recebe uma pena dura (em alguns casos), mas se um ciclista é morto atropelado por um carro, parece que a pena dó motorista é atenuada…

“Tem que haver uma mudança na lei. Nosso Código de Trânsito Brasileiro não traz a responsabilidade objetiva de motoristas perante pedestres e ciclistas. Responsabilidade objetiva significa que é motoristas são responsáveis, independente da situação, em um atropelamento, tendo este que provar ao contrário. O Código está em fase de revisão e estamos justamente batendo nessa tecla.”

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[Apenã #008] Harvard, Vale do Silício, Empreendedorismo e Volta pra casa – Deborah Alves

Há poucas semanas tive o prazer enorme de conversar com a Deborah Alves. A conheci em um evento da BRASA, a BrazUSC 2017, onde ela foi inclusive homenageada. A Deborah esteve a frente de alguns movimentos de brasileiros no exterior que cresceram bastante, como o BSCUE e a BRASA, envolvidos com o fortalecimento dos grupos de brasileiros fora do Brasil, com interesse em fazer impacto no país de origem.

A Déborah estudou Ciência da Computação em Harvard, participou da IMO, Olimpíadas Mundiais de Matemática, (como inclusive falou pro G1), trabalhou no Vale do Silício e voltou para o Brasil para empreender. Ou seja, tem uma experiência incrível!

Na Brazil Conference, evento que contou com a participação de grandes nomes como Lemann, Haddad, Moro e Rousseff, na Universidade de Harvard. Arquivo pessoal.

Claro, ela contou pra gente um pouco de todas essas experiências, como foi estudar em Harvard, o que ela mais destaca de lá; como foi trabalhar no Vale do Silício, o ambiente tão inovador e referência mundial para todos os empreendedores; como tem sido o novo desafio, o ambiente da tecnologia em sp, os prós/contras do empreendedorismo e muito mais!

Com a galera da Quora, empresa do Vale do Silício onde ela trabalhou.

É sempre ótimo conversar com uma pessoa como a Deborah, que tem tanto a dividir com a gente e parecem tão abertas para esse compartilhar. Só posso recomendar ouvirem com muito carinho essa conversa com essa pessoa maravilhosa! ❤

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[#007] Cuidado com o Neocolonialismo — Tereza Prado

Eu já estava ansiosa para dividir essa entrevista. E nem acredito que demorei tanto a postar sobre ela por aqui. Parece ser uma daquelas coisas que você sempre quer que fazer perfeitamente e vai deixando pra depois — é muito raro termos tempo para fazer o texto perfeito. — Por isso, vou prometer textos mais elaborados para falar sobre os temas (que eu considero bem complexos) abordados nessa conversa.

A complexidade de cada local é contrária a nossa vontade de simplificar e de achar que “a grama do vizinho é mais verde”. A verdade é que cada região tem o que nos ensinar e o que aprender com a gente. Nessa entrevista, com uma psicóloga brasileira que mora em Sarre, na Alemanha, conversamos um pouco sobre a vida por aqui, (acho que a maioria de vocês sabem que estou morando na área do Ruhr), inclusive sobre traumas da guerra, questões de gênero, maternidade, alcoolismo, etc. E (importante!) lembramos o quanto é delicado pensarmos que a cultura de países desenvolvidos é melhor que a nossa.

É bom lembrar que não estamos apontando uma região “mais” ou “menos” machista, mas citamos alguns dados e vemos que o machismo pode se apresentar de várias formas.

Alguns links relacionados:
Partidos proibidos na Alemanha (em alemão): de.wikipedia.org/wiki/Parteiverbot
Relatório sobre a população alemã (em alemão): www.destatis.de/DE/Publikationen/…b=publicationFile
Relatório do ILO (International Labour Organization, em inglês): www.ilo.org/gender/Informationr…/lang–en/index.htm
Texto sobre questões de gênero na França: cientistasfeministas.wordpress.com/2017/05…ndente/

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[#006] Você não sabe o tamanho do seu Potencial!!! — Guilherme Salvador

Escola de Férias.

Nesse episódio do Apenã eu tive uma conversa que me tocou bastante. O Guilherme Salvador é um amigo que admiro muito e que tem feito algo muito importante: colocar seus valores em prática. A superação de problemas de saúde pode ser parte do desenvolvimento pessoal e, no caso dele, também proporcionou mais reflexão sobre a sociedade e o impulsionou a ser instrumento de impacto social positivo.

Crescendo em uma zona rural, é bem fácil termos dúvidas a respeito das possibilidades de crescimento a longo prazo e ignorarmos a existência de algumas oportunidades, pela simples falta de conhecimento a respeito delas. É fácil nos sentirmos impotentes e no geral tendemos a nos distanciar da capacidade de sermos agentes de mudança. Quando estamos no interior, é quase senso comum que o novo e interessante só vem da capital, muitas vezes somente na capital maior e mais distante, além das fronteiras do que conhecemos. A verdade é que essa é a receita para perdermos muito potencial pelo caminho (e que devemos questionar o senso comum).

Vamos perguntar: “Se não aqui, onde? Se não eu, quem?”

Mais uma vez me lembro da liberdade positiva e da liberdade negativa, pois o simples conhecimento a respeito das portas que estão ao nosso redor nos proporciona uma nova atitude a respeito do caminho a ser tomado. Encontrar as possibilidades que estão ao nosso redor é mais difícil que enxergar as portas presentes em um longo e escuro corredor. Nos depararmos com pessoas que nos auxiliam a iluminar esse caminho é sempre algo mágico — você já se perguntou como você pode ser essa pessoa para alguém?

Tive o maior prazer de receber o nosso mais novo colaborador do Apenã nessa conversa que também abordou assuntos como cultura, intercambio, vida na Holanda, etc.

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[#004] Uma mão amiga a apontar portas — Angelita Gomes Drunkenmolle

Angelita Gomes Drunkenmolle atenta em conversa sobre projetos de impacto com a comunidade. Foto: Andressa Silva.

A beleza de se desenvolver um trabalho que te dá “brilho nos olhos” é algo que pode ser visto de longe. Eu fico muito feliz de poder trazer para o Apenã conversas com pessoas assim, essa semana trouxemos a incrível Angelita Gomes Drunkenmolle.

Ela, mãe e mulher com um sonho grande de transformar a realidade dos jovens brasileiros, dando suporte de todas as formas para que eles possam se desenvolver em suas potencialidades, especialmente aqueles com Altas Habilidades. Ela enxerga o grande potencial, mas sabe que podem ser muitas as frustrações do jovem diante a realidade. Ela é tida como um ponto de referência para jovens que vêm conquistando os seus sonhos dia após dia, e o seu trabalho vem sendo reconhecido no meio educacional, tanto por profissionais da área quanto por empresários.

Mentoring Young Talents Brazil

Quando lembro do fim do ensino médio e daquela fase da vida recheada de inúmeras decisões com grande peso para o futuro, eu tenho quase um frio na barriga. Eu não sabia bem o que eu queria para o meu futuro, mas sabia dos valores que me guiavam e tinha medo de não conseguir concordá-los em “uma só área do conhecimento”, mal sabia eu como o mundo é diverso e complexo — e que um curso não tem como definir toda uma vida. Hoje trago uma visão holística para todos os projetos que desenvolvo e penso na diferença que faz sabermos da existência de uma porta ao lado. Mas quando a experiência não está do nosso lado, os caminhos são confusos e as oportunidades, mesmo que sejam muitas, nem sempre são facilmente encontradas.

“A vida não é fácil, mas você pode construir algo com o pouco que você tem, buscando os contatos certos, as informações e as ferramentas”

Nesse momento da vida é de extrema importância a orientação de um adulto experiente, não é algo simples, mas com as ferramentas certas, tudo fica mais fácil. Mostrar para o jovem as possibilidades nesses caminhos é empoderá-lo, é dar a liberdade (tanto positiva quanto negativa), para que ele possa fazer a melhor escolha. O desenvolvimento da nossa articulação é muitas vezes o fator determinante para indicar o impacto que produzimos. Mostrar para os nossos jovens a potencialidade que eles têm e para isso é indispensável lembrarmos de olhá-los como o que eles são, pessoas de grande potencial em formação.

Mentoring Young Talents Brazil.

As atividades para desenvolvermos essas potencialidades são infinitas, desde a divulgação de oportunidades, à mentoria e ao apoio psicológico. Para mim, essa é forma mais tangível para enxergarmos o amor ao próximo. Não só pelo resultado pessoal alcançado pelos jovens, mas também pelos resultados coletivos que a nossa sociedade poderá alcançar.

E assim, em um mundo cada vez mais internacionalizado, são trilhados os caminhos para construirmos os sonho de transformar a realidade dos jovens brasileiros.

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[#003] A Força Reina quando Encontra as Oportunidades — Débora Carvalho

25/06/2014, Brasília-DF: Débora Carvalho em palestra durante cerimônia de lançamento da segunda etapa do Programa Ciência Sem Fronteiras. Foto: Valter Campanato/ Agência Brasil

“Nasci para contrariar estatísticas. Nasci mulher, nasci negra e nasci pobre.”

 

Eu conheci a Débora durante sua brilhante participação em evento em Brasília. No evento, nós éramos as duas únicas ex-bolsistas da capes no que fizeram o intercâmbio na Alemanha, logo foi fácil conectar-me com ela. Eu não tinha ideia, porém, do quão rica era a bagagem que ela trazia, nem esperava ouvir um discurso tão impressionante no nosso próximo encontro. Um discurso que tocou a todos no local, enchendo aquela sala com tanta emoção que era possível ver lágrimas encharcando alguns rostos.

https://www.youtube.com/watch?v=T96WFcpabuI

Em nossa conversa eu também pude ver uma outra faceta dessa forte mulher que está a receber prêmios decorrentes de sua excelente performance, ela conversou também sobre todo o apoio que potencializou tais resultados. Ela fala sobre a boa recepção que recebeu ao chegar na Alemanha e sobre os resultados gerados em um ambiente fértil, pois ela desenvolveu diversas atividades, que deixaram uma marca de sua passagem em Freiberga.

Situada nessa pequena cidade, se encontra a Universidade Técnica de Freiberg, de 1765, berço acadêmico de ilustres como von Humboldt. Há pouco tempo estive em uma conferência nessa cidade e fiquei impressionada ao encontrar as referências que a Débora deixou no seu caminho. Tanto de colegas, que a conheceram nas diversas atividades que ela desenvolvia com destaque e sucesso, quanto de seu professor, todos parecem concordar que ela faz um ótimo trabalho por onde passa.

Palestra no ministério alemão de relações exteriores, em Berlim. Copyright Auswärtiges Amt- Fotograf Dirk Enters.

Sem dúvidas, foram muitas as atividades nas quais ela se envolveu durante sua estadia na Alemanha. Com o engenheiros sem fronteiras ela trabalhou no desenvolvimento de um projeto de uma cisterna no Quênia, ela também liderou um grupo de estudos voltado para estudantes provenientes do BRICS, deu aulas de língua portuguesa técnica, fez um estágio na área de geotecnia ambiental, além de ter participado de eventos como sua ida até Berlim debater com embaixadores e ministros, no ministério alemão de relações exteriores.

Fica claro que, como diz a sua citação do Rappa, “é só regar os lírios do gueto que o Beethoven Negro vêm pra se mostrar”.

Ao voltar ao Brasil ela continuou se envolvendo em diversas atividades, como a PoliGen e a PoliNegra, debatendo sobre as dificuldades encontradas pelo caminho. Nessa reportagem, citada na nossa conversa, é mostrado Marabá como a cidade com maior desigualdade entre homens e mulheres e Porto Alegre como a cidade com maior desigualdade entre negros e brancos. Mas na conversa com a Débora não falamos só sobre os obstáculos, mas também sobre os degraus do caminho, que nos permitem ir mais longe, com ainda mais força.

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A sobrevivência do mais gentil

“Se a gente é o que como. Quem não come nada some. Deve ser por isso que ninguém enxerga toda essa gente que passa fome.” Em um ônibus pela cidade de Marabá. Fonte: Autor.

 

Um dia eu peguei o ônibus “São Félix”, saindo da Cidade Nova, passando pela Cidade Velha e fazendo o trajeto mais longo possível, até a Universidade Federal, em Marabá (PA). Eu fui para o fundo do ônibus e sentei do lado de um senhor bem simples e pele castigada por uma vida recheada de trabalho duro. Sem nenhum interesse em interações sociais, eu peguei o livro que estava na bolsa e comecei a ler durante o percurso. Percebi que o senhor estava sentado na alça da minha bolsa, interrompi a leitura e puxei levemente a alça, para não incomodá-lo. Nesse momento ele me pediu desculpas e eu respondi que era minha culpa, por deixar minhas coisas sempre tão espalhadas. Ele respondeu com um não esperado (e fora de contexto) “você merece”.

Esse foi um momento muito intenso, eu quis não entender, mas como uma estudante universitária branca, eu não pude deixar de sentir nos meus ombros o peso de uma história repugnante, que vem desde o período escravocrata e segue vendo com normalidade todas as regalias que a sociedade continuou separando para uma pequena classe dominante. O normal é ferir o primeiro artigo da Declaração Universal dos Direitos Humanos, que diz: “Todos os seres humanos nascem livres e iguais em dignidade e em direitos. Dotados de razão e de consciência, devem agir uns para com os outros em espírito de fraternidade”.

O senhor do ônibus não conseguia se conectar comigo. Muitas pessoas devem passar por ele sem se conectar de forma alguma. Ele provavelmente sente diariamente na pele o significado da palavra desprezo. Nós conversamos. Ele estava visivelmente feliz por finalmente alguém ter tirado um tempo para conversar com ele. Ele veio da mesma cidade que eu nasci. Ele conhece a área onde meus avós moram, bem o suficiente para me recomendar um bom bar na minha próxima visita ao Conjunto Ceará. Nós nos conectamos. Ele me disse que iria se lembrar de mim no seu coração. Eu fiquei extremamente tocada.

A nossa capacidade de nos conectarmos com “o outro” é a coisa mais bela que podemos experimentar como seres humanos. Como Tom Shadyac sublinha no seu filme I am, a frase que melhor captura o pensamento de Darwin sobre o seu trabalho é “a sobrevivência do mais gentil” (ao contrário da frase do perigoso darwinista social Herbert Spencer, “a sobrevivência do mais apto”). No filme de Shadyac, ele destaca também que a palavra amor foi usada 95 vezes no primeiro livro de Darwin sobre seres humanos, A Descendência do Homem.

Há muitos exemplos sobre o quão belo é desenvolver empatia e perceber como a conexão humana não precisa de fronteiras. Como a Yolanda Rodrigues disse em entrevista, “empatia é o símbolo da paz mundial”. E um exemplo disso pode ser visto no filme Encounter Point, documentário que mostra como israelenses e palestinos foram unidos pela violência que seus familiares sofreram.

Um ato que parece simples, como agirmos com fraternidade, termos empatia com “o outro” e entender o quanto estamos conectados, faz uma grande diferença no nosso crescimento como sociedade. Darwin disse que em nossos predecessores hominídeos, as comunidades de indivíduos mais simpáticos tiveram maior sucesso na elevação da prole mais saudável para a idade de viabilidade e reprodução — condição necessária para evolução.

Foto: Maragda Farràs (https://unsplash.com/collections/139432/humanity?photo=UjGjirzkat4)

Pesquisadores de várias áreas vêm comprovando essa teoria de Darwin, como é ilustrado no experimento de Darlene Francis e Michael Meaney. Eles mostram que filhotes de ratos que tiveram um ambiente mais acolhedor e com mais altos níveis de contato tátil de suas mães, mais tarde se tornam ratos maduros, com níveis reduzidos de hormônios do estresse e têm sistemas imunológicos mais robustos.

E essa mesma resposta acontece em uma escala maior, quando temos nossa sociedade como referência. É o que mostra Richard Dawkins, autor do livro O Gene Egoísta, onde ele escreve que altruísmo não é algo contraditório ao egoísmo do gene, pois ele contribui para a sua sobrevivência da espécie. Ou Edward O. Wilson, que mostra que a nossa evolução de sociedade tribal em uma sociedade global favorece cada vez mais uma interação humana que tenha um comportamento compassivo e cooperativo, em vez de abordagens insensíveis e competitivas.

Pensando assim, não faz sentido nos trancarmos nos nossos sentimentos egoístas ou mantermos as regalias de uma classe dominante, pois a ciência mostra que uma sociedade empática e compassiva terá mais sucesso (e óbvia felicidade).

[#001] Compartilhando o conhecimento, Yolanda Rodrigues

Escola de férias, Liga de Empreendedorismo Potiguar, Campus Party e Rede CsF, esses foram alguns dos tópicos da primeira entrevista do Apenã, com a Yolanda Rodrigues, falando sobre como participar do desenvolvimento da sociedade local — contando sobre seus lindos exemplos, na prática!

Foto da Escola de Férias no interior do Rio Grande do Norte.

Conheço a Yolanda por termos trabalhado em conjunto na RedeCsF, um iniciativa fantástica de alguns ex-bolsistas do Ciência sem Fronteiras, com o intuito de atuar no desenvolvimento do CTI&E (ciência, tecnologia, inovação e educação) no cenário Brasileiro. Logo desenvolvemos uma amizade e eu tenho grande respeito pela força dessa linda Potiguar!

Apresentação da RedeCsF na Campus Party. Lucas Trombeta, Yolanda Rodrigues, Lucas Conelian e Laís Souza.

Conversamos sobre a Escola de Férias, evento promovido pelo Núcleo da Rede CsF em Natal. Uma semana de desenvolvido para compartilhar o crescimento, onde uma caravana de 17 pessoas saiu de Natal, viajou em torno de 700km para o interior do Rio Grande do Norte e desenvolveu diversas atividades durante uma semana com mais de 300 crianças da área urbana e rural!

Yolanda ao centro, sendo entrevistada.

Eu fiquei emocionada na fala dela sobre como foi encontrar uma situação tão difícil, com país que não sabia ler nem escrever, moravam em casas de taipa, mas as atividades foram muito positivas, inclusive pela ótima resposta das crianças que participaram – e isso em uma cidade tão próxima, onde ela nasceu!

Eu senti a força da mudança na fala dela sobre como não chegamos em lugar nenhum sozinhos, pois nós crescemos em sociedade. Ouvir sobre as experiências da Yolanda é ver seus valores sendo colocados em prática e fazendo a diferença para o futuro da sua comunidade. Você pode ver mais informações sobre a Liga Empreendedora de Potiguar, no facebook e medium.

Diversas imagens da Escola de Férias, no interior do Rio Grande do Norte. Fonte: Núcleo RedeCsF Natal.

 

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[#000] Apenã, o início

Esse post é para darmos início a nossa conversa e falar um pouco sobre o que é esse projeto. Para conversarmos sobre qual o motivo desse nome estranho e falar um pouco sobre essa garota que está escrevendo e quer entrevistar pessoas incríveis.

Apenã significa “amanhã” na língua na de um povo indígena, o gavião parkatejê. Eu entrei em contato com eles pois uma tribo desse povo fica bem próximo a Marabá, a cidade onde morei por um período muito importante na minha vida e no meu crescimento pessoal e sobre a qual falarei mais em um próximo post.

Rio Itacaiunas, Marabá-PA, Brasil

Eu sei que “o amanhã” não é um lugar fechado a um espaço limitado, mas aberto a novidades e busca o crescimento por meio da interação entre diversidades. Eu sempre busquei interagir da melhor forma com o “novo”, buscando conhecer mais sobre novas culturas e interagir com as mesmas.

No momento eu busco me preparar para futuros desafios, desenvolvendo meu doutorado na Universität Duisburg-Essen (eu falei um pouquinho sobre essa universidade e sobre essa região da Alemanha aqui). Pelo caminho que tenho trilhado, tive o imenso prazer de conhecer pessoas incríveis, que me motivaram bastante e me fizeram ver como podemos promover uma forte influência na construção do que desejamos para o futuro de toda nossa comunidade global.

Eu quero retratar aqui um pouquinho desses encontros, ter uma conversa para pensarmos sobre o futuro que queremos construir. Nos próximos encontros teremos uma grande diversidade de convidados, empreendedores que apostaram em grandes desafios; líderes de atividades culturais, sociais e científicas por todo o Brasil, do sertão aos pampas, sem esquecer da região amazônica; lideranças de organizações da sociedade civil, de ONGs e de redes de Networking; especialistas de diversas áreas, ao redor do mundo, pessoas que quebram barreiras e se destacam brilhantemente nas suas áreas.

Você já está convidado a acompanhar os episódios do podcast Apenã!

Um abraço,

Ana Rosa


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